Já não é de hoje que tenho observado a predominância de
déspotas por aí. Déspotas esses que estão por todas as partes, nos diversos
âmbitos e nas mais variadas épocas da nossa história. Para nomear uma “antiga” (e
tão comum ainda hoje) forma de governo, falavam em “despotismo”; onde o poder
detinha a razão. Segundo Montesquieu, de acordo com essa forma de governo,
apenas um governa, sem a necessidade de leis e regras, e domina tudo e todos. Opressão demais? Será mesmo? Quando tento fazer
uma análise a respeito das ações de alguns “políticos” muito atuais, vejo que o
belíssimo pensamento de Heráclito (“Nada é permanente, exceto a mudança!”)
infelizmente esvai-se. E esvai-se porque apesar das inúmeras quebras
paradigmáticas, algumas coisas insistem em perpetuar. Porém, perpetuam-se de
maneira camuflada. O que antes era “descarado”, agora é maquiado e camuflado, e
sem perceber somos diariamente ludibriados.
Se pensarmos no
despotismo de maneira mais ampla, não só nas esferas governamentais, veremos
que esse tipo de ação, no sentido de arbitrariedade e opressão, é ainda mais freqüente.
Arbitrariedade essa que podemos detectar inclusive em pequenas discussões, seja
lá sobre o que for e aonde for. Um sempre querendo impor seus princípios
ideológicos a qualquer custo. Não basta falar sobre tais idéias, há a
necessidade de IMPOSIÇÃO: "o outro também tem que pensar como eu". "O outro não
pode pensar diferente, afinal, QUEM ELE PENSA QUE É"? Mas a resposta é clara, não?
O outro é um OUTRO ser, que nasceu numa OUTRA família, que teve OUTRAS experiências,
OUTRAS vivências, e por aí vai. Simples, não? Nenhum pouco. Se fosse, a palavra
do momento não seria “desrespeito”. E não há como falarem em respeitar leis e
regras sem haver, ANTES DE MAIS NADA, um respeito com o outro.
Acredito que há possibilidade de mudança se houver, primeiramente,
uma autocrítica: Como me comporto diante daquele que é diferente de mim? Quando
passamos a nos perceber, nossa consciência passa a apreender melhor não só o
nosso próprio modo de ser, mas também o modo como gostaríamos de ser, e dessa
maneira passamos a ter a possibilidade de modificar algumas ações. E como
precisamos de tais modificações para a construção de um mundo melhor, não? “Mundo”
esse que tenha como diretriz o respeito ao outro e, consequentemente, maior
respeito também às leis e normas para haja então um melhor convívio social.
Triste, mas é a nossa realidade atual. Fazem o querem, criam leis para o próprio benefício, e quem paga a conta?
ResponderExcluirPerfeito, Rê!